A arte pode ser criada de diversas formas. Assim como nós podemos percebê-la em uma infinidade de percepções. Os sentidos, que nos ajudam a entender do mundo, recebem informações durante o tempo todo. Porém, nossa consciência foca em pontos que consideramos mais importantes para reservar na nossa memória e intelecto.
Desde a infância, temos muitas experiências de novas sensações e percepções. Automaticamente, nosso cérebro guarda a recordação, por vezes mais direcionadas ao intelecto. Mas praticamente todas as experiências nos remetem também a emoções.
A experiência artística seja como consumidor, ou como artista, é considerada como um encontro. Em um estudo publicado entendemos como a arte atua neurologicamente. Para entender a importância da arte nas nossas vidas, reunimos alguns tópicos do artigo “Abordagens da neurociência sobre a percepção da obra de arte” publicado na revista ArteCiênciaArte da editora Unesp.
Este artigo foi publicado por Rosangela Leote, artista/pesquisadora multimídia. Ele nos mostra que a relação com a arte permanece conosco muito além do momento em que vemos um espetáculo ou ouvimos uma música.
A arte nos 5 sentidos
Percebemos o mundo graças aos sentidos. Cada ação que ocorre ao entorno do ser humano pode ser captado por sua visão, tato, audição olfato ou paladar. Sempre que recebemos uma informação via um destes sentidos, a informação é enviada ao cérebro através dos nervos.
Mesmo no caso de alguns destes sentidos não serem captados, ou comunicados ao cérebro corretamente, a arte pode ser absorvida pela nossa percepção.
O som
Geralmente percebido através da audição, o som é formado por vibrações que chega até nós pelo ar. Ao ouvirmos uma música, um mantra, ou até mesmo um ruído, o nosso ouvido capta as informações para ser interpretada pelo cérebro. Mas existem outras formas de aproveitar a arte musical.
Como explica Leote, as obras são multissensoriais. Você já sentiu a vibração do som movimentando seu corpo ao ir em um show? Isso é porque a vibração também pode ser sentida através do tato. Outra forma de interagir com a música é através da visão. Em diversos espetáculos as músicas guiam o tom de luzes que são utilizadas.
Além disso, a tecnologia também está reunindo estas formas de percepção de ritmo e som para poder ser integrativa para todos os públicos, como o aplicativo desenvolvido por brasileiros:
Experiências gastronômicas
Quantas vezes ao lembrar do verão, nos recordamos das frutas frescas da estação. E claro, as cores vivas de cada fruta mais saborosa que a outra. Estamos falando de sabor, mas a nossa memória traz o conjunto da experiência que vivemos ao saborear uma fruta.
A arte está diretamente ligada a memória e ao senso estético. É por isso que ao ficarmos diante de um prato de comida ou de um suco saboroso, a apresentação importa.
Não é por acaso que os restaurantes mais refinados consideram a apresentação dos pratos um item de grande importância. A visão e o olfato são os maiores auxiliares do paladar. E ao receber estas informações conjuntas, nosso cérebro consegue gravar a informação de forma mais completa.
Ao viver momentos alegres, tranquilos e divertidos enquanto consumimos um prato bem apresentado fará com que esse momento seja marcado para nossas próximas escolhas.
Ver
A visão é dos sentidos que mais damos atenção. Ela está diretamente relacionada com a emoção reativa. Ou seja, ao ver uma cena triste ou divertida a reação é quase instantânea.
“Ver para crer” é um termo muito utilizado, pois a visão é um dos sentidos mais envolventes para as nossas emoções. Como já explicamos acima, ela ainda é auxiliar para a percepção de outros sentidos.
Como informa o artigo, a percepção da visão vai muito além da gravação da imagem. Ela é processada pelo cérebro em mais de um ponto. Pois, a visão recebe as informações de cor, tamanho, profundidade, movimento, para proporcionar a experiência estética. Para isso é necessário o uso da área relacionada ao reconhecimento de objetos (ventral), a área responsável pela memória a longo prazo (lobo temporal medial) e a área relacionada as emoções (sistema límbico).
É comum para o espectador de novelas, teatros e cinema criar uma relação com a peça visualizada. A arte visual retoma as impressões sobre a vida. Esse tipo de espetáculo pode nos levar às emoções mais fortes e vibrantes.
Aromas e perfumes
Assim como os outros sentidos, o olfato também é capaz de sensibilizar nossas impressões. Nos últimos anos, os estudos sobre o uso de aromas relacionados ao humor tem proporcionado o uso de medicinas alternativas.
O olfato aciona a memória e nos auxilia a perceber os sabores de frutas e alimentos. A reação do organismo também é rápida. Você deve lembrar de sentir o cheirinho de uma fruta perfumada, ou mesmo o feijão feito na hora, e sentir a reação do corpo. A vontade de comer, o barulho do estômago e quase dá para sentir o sabor do alimento, não é mesmo?!
Tato
Desde a infância, o tato auxilia na compreensão do mundo. A criança que quer conhecer um objeto faz questão de pegar, tocar, morder, entre outras ações. O toque é muito importante para o sistema cognitivo e para as emoções também.
O tato também influencia o humor. Podemos ficar irritados com o calor, ou introspectivos por estar com frio. Além disso, a experiência tátil transmite energia. Por isso, o nosso corpo reage em muitas situações com arrepios, ou até mesmo corrente elétrica.

Arte ao longo da vida
Loete diz que “pesquisas da Neurociência que poderiam informar a arte, como aquelas relacionadas à atenção,
recompensa, aprendizado, memória, emoção e tomada de decisão, pois elas contêm modelos mais completos que auxiliariam a entender as questões da arte”.
Ver, ouvir ou sentir uma obra de arte faz com que o cérebro trabalhe e o corpo vibre. Além disso, podemos absorver conhecimento, relembrar momentos importantes e reencontrar sensações. O desenvolvimento do raciocínio lógico e interpretação de texto depende do consumo de obras de arte.
A socialização também pode ser estimulada a partir de vivencias como teatro, shows e cinema. O contato é um fator importante para a compreensão de coletividade. Se falar na transmissão de energia que ocorre nesses casos.
Então para te ajudar a ter essas experiências e tirar suas próprias conclusões, recomendamos que você viva arte! Procure espetáculos com temas que você gosta. Veja, ouça, sinta e perceba as programações culturais que tenham perto de você.
