Uma rotina saudável, autoconhecimento, atividade física e emoções positivas: o que podemos fazer para encontrar a felicidade?
Ah, a felicidade… Ela está nos finais dos filmes, nos romances da Literatura. Aparece sempre nas últimas cenas, no esperado capítulo final daqueles livros que nos fazem sorrir com os olhos. Ela vem depois de um enredo cheio de idas e vindas, adversidades e aventuras. E na vida real, como atingir a felicidade?
Diferente do que vemos na ficção, a felicidade não pode surgir apenas no final da história, mas ser uma constante que nos motiva a ter dias com mais qualidade e otimismo.
É a felicidade que nos sustenta, que nos fortalece e nos impulsiona como sermos seres humanos.
Uma busca, muitos conceitos
Muito se faz para chegar à tão sonhada felicidade. Mas você já parou para pensar no conceito de felicidade e no que isso quer dizer?
Vamos começar pelo dicionário: estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento. Para a Psicologia, é um bem-estar subjetivo ligado a atitudes, intenções e sentimentos que nos fazem bem. Para a Organização das Nações Unidas, a felicidade é um acelerador do desenvolvimento humano e social, ou seja, ela é fundamental para a existência digna do ser humano.
Felicidade e saúde estão interligados: ser feliz preserva a saúde e ser saudável oportuniza uma vida feliz. Dito isso, como estabelecer uma rotina mais feliz?
Atividade física em primeiro lugar

Cuidar do corpo e da mente. Esses são os preceitos básicos para ser feliz e ter uma vida saudável a longo prazo. O profissional de Educação Física do Sesc/RS Vinícius Santos reforça que a prática da atividade física vai além disso e possibilita a transformação:
“A prática do exercício físico traz benefícios como um todo, não somente para o corpo, mas psicologicamente também. Através do esporte, novas oportunidades profissionais surgem, novas amizades são feitas. Também expandimos e diversificamos nossos pensamentos, pois o esporte vai muito além da prática desportiva específica, esporte transforma vidas”, ressalta.
Mais felicidade, menos doenças
A pesquisadora da Universidade de Harvard Dra. Laura Kubzansky constatou que o risco de doenças cardiovasculares é menor entre aqueles que apresentam qualidades como entusiasmo, vitalidade e equilíbrio emocional. Isso quer dizer que pessoas felizes tendem a ter uma rotina mais ativa e a encarar as adversidades com mais otimismo.
Sob o ponto de vista da saúde, a pandemia colocou em pauta a felicidade. No cenário atual, quando milhares de famílias lidam com as perdas pela Covid-19 e pacientes recuperados descobrem sequelas, como retomar a felicidade?
“Uma das alternativas é justamente reconhecer a felicidade como uma questão de saúde, que precisa de cuidados, exercícios e, em muitos casos, de atenção profissional”, declara a gerente de Saúde do Sesc/RS, Mari Estela Kenner.
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Relações de confiança
Em tempos de incerteza, o impacto do dia a dia e as relações de confiança aparecem como fatores fundamentais para a felicidade.
“Felicidade para mim é poder trabalhar em um ambiente humanizado, onde estejam presentes relações de segurança e de confiança. É onde possamos entregar o nosso melhor, a nossa melhor versão, desenvolvendo nossos talentos e qualidades, em um espaço com autoestima e saúde mental. É poder ter relações familiares e de amizade, ter sonhos, exercer nossa liberdade, ter com quem celebrar derrotas e vitórias” afirma Mari.
Mergulho no autoconhecimento
“Refletir sobre felicidade é fazer um mergulho no autoconhecimento, compreender e conhecer o que nos faz bem, quais as nossas potencialidades, como estamos enxergando o mundo externo e interno”.
Analista de Recursos Humanos do Sesc/RS, psicóloga Daniela Zandonotto.
Podemos exercitar essa reflexão no dia a dia, treinando nosso olhar para aspectos positivos do cotidiano, exercitando o otimismo, estando próximo de pessoas inspiradoras, tendo um propósito de vida:
“A Psicologia Positiva e a ciência da felicidade nos comprovam que é possível construirmos e exercitarmos a felicidade, tendo como base nossas escolhas, ações, relacionamentos e pensamentos. Também reforçam a importância de identificarmos nossas forças internas, intituladas Forças de Caráter, em busca de uma vida mais significativa e com propósito”, explica Daniela.
Muito mais do que alegria

Você sabia que se uma pessoa está alegre isso não quer dizer que ela é feliz? Sim, tem diferença: a alegria é uma emoção e tem duração momentânea. Já a felicidade é um estado constante e presente, constituído de uma soma de atitudes.
A professora e pesquisadora em Psicologia Carla Furtado, fundadora do Instituto Feliciência afirma: “A felicidade é diferente do que o senso comum diz”. E esclarece:
“Quando nós abordamos o tema via Psicologia Positiva, a felicidade não é uma emoção, e existe uma grande confusão entre felicidade e alegria. A alegria todo mundo gosta de sentir, mas é uma emoção e, como toda emoção, tem um ciclo de vida curto. A felicidade para nós, pesquisadores da área, é um estado construído a partir de esforços intencionais e de condições adequadas”, define Carla.
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Olhe para trás e para dentro!
E se juntarmos muitos momentos alegres, conseguimos atingir a felicidade? A resposta é sim, mas não é só isso! A felicidade é uma soma entre as emoções e a cognição, que é a capacidade de processar informações e transformá-las em conhecimento:
“Se a gente pudesse fazer uma matemática ou uma equação, no fim do dia, no fim da semana ou até mesmo no fim da vida, a gente olharia para trás e veria que apesar de todas as dificuldades e adversidades. A gente viveu um pouquinho mais de emoções de valência positiva do que negativa, mas isso não é o suficiente para sustentar um estado de felicidade. É preciso que junto com esses esforços, para ter uma vida mais positiva, que a gente também trabalhe com significado, sentido de vida e propósito, e isso é de natureza cognitiva”, explica Carla.
Então existe receita para ser feliz?

Se olharmos todos os conceitos e ouvirmos todas as histórias sobre felicidade, ainda assim não poderíamos escrever uma receita de como ser feliz. E a explicação é simples: cada ser humano é único, possui características e personalidade singulares.
Ou seja, mais do que encontrar uma resposta, é preciso que cada um busque em si mesmo a própria felicidade. E esse pode ser mais do que um objetivo, mas um estilo de vida e um estado a ser experimentado no dia a dia.
A psicóloga Daniela Zandonotto finaliza: “não existe receita para ser feliz. Cada pessoa precisa identificar fatores, atitudes e comportamentos que contribuem para esse estado. Consequentemente, pessoas felizes tendem a se preocupar mais com a sua saúde física e mental, investem em atividades físicas, alimentação balanceada, práticas de meditação, yoga”.
Saúde para a felicidade
O Sistema Fecomércio-RS/Sesc realiza o evento on-line e gratuito Saúde para Felicidade, nos dias 3, 4 e 5 de agosto. O ciclo de palestras propõe novas perspectivas e condutas no pós-covid, promovendo informação, cuidados e esperança para o início de um novo ciclo.
A professora e pesquisadora em Psicologia Carla Furtado, que colaborou com o conteúdo deste post, é uma dos palestrantes confirmadas. A fundadora do Instituto Feliciência falará sobre temas como saúde mental, felicidade, liderança e sustentabilidade. Além dela, participam o infectologista André Siqueira, pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/ Fiocruz), e o nutricionista João Motarelli, professor de Mindful Eating e Autocompaixão.
Mais informações podem ser obtidas no site https://conteudos.sesc-rs.com.br/saude-para-felicidade.
Gostei do texto. Parabéns a quem organizou! Oportuno.
Obrigado, Nilson!